A Câmara Municipal de Salvador aprovou, em maio de 2026, a concessão do título de cidadão soteropolitano ao senador Flávio Bolsonaro (PL). O placar da votação, realizada em 6 de maio, registrou 26 votos favoráveis contra 11 contrários à proposta de homenagem.
Entre os parlamentares que rejeitaram a honraria estavam todos os dez vereadores da oposição, além de André Fraga (PV), que apesar de integrar a base de sustentação do governo municipal, decidiu votar contra a concessão. O presidente da Casa, Carlos Muniz (PSDB), não registrou voto, conforme estabelece o Regimento Interno.
Os adversários da medida sustentaram que o legislador não possui vínculos demonstráveis com a capital baiana que justifiquem a outorga do título. Para esse grupo, as honrarias devem contemplar apenas pessoas que efetivamente contribuíram para o avanço da cidade e para a melhoria das condições de vida de seus habitantes.
"A bancada de oposição votou de forma unânime contra essa concessão porque Salvador merece valorizar quem realmente trabalha pela nossa cidade. O senator nunca desenvolveu ações concretas em benefício dos soteropolitanos. A maioria aprovou a homenagem, porém sem o respaldo da oposição", declarou Randerson Leal (Podemos), líder da minoria na Câmara.
No último dia 13, o legislativo municipal também chancelou a transferência provisória de sua sede para o Farol da Barra, onde ocorrerá a cerimônia de entrega do título no sábado seguinte, às 15 horas. A princípio, a agenda de Bolsonaro havia sido anunciada como uma caminhada entre o Clube Espanhol, em Ondina, e o Farol da Barra, mas acabou transformada em comício no destino final.
Em maio, Randerson Leal e demais vereadores contrários protocolaram o Ofício número 83/2026 junto à Presidência da Casa, pedindo a interrupção da solenidade e uma reavaliação dos critérios adotados para a concessão. O documento defendia que as honrarias precisam observar os princípios constitucionais da impessoalidade e do interesse público, avaliando a contribuição real do agraciado para Salvador. O grupo ainda requisitou o envio do processo à Comissão de Constituição e Justiça para nova apreciação.
Recentemente, o universitário Victor Jesus Queirós de Lima apresentou uma ação popular requerendo a paralisação do evento. O estudante questiona a inexistência de serviços concretos prestados pelo parlamentar à capital baiana e aponta possível viés político-eleitoral na organização da solenidade. Paralelamente, uma petição virtual iniciada na plataforma Change.org pede a revogação da inúmera e já conta com mais de 150 mil adesões, de acordo com dados atualizados do abaixo-assinado.
Fonte: Aratu On – Últimas Notícias