O parlamentar estadual eleito e líder do PSOL na Bahia, Kleber Rosa, concedeu entrevista exclusiva ao A TARDE nesta quarta-feira, 28, para comentar a polêmica carta distribuída por Flaviano Bolsonaro após sua chegada aos Estados Unidos. No documento, o senador pelo PL divulga que seria o "verdadeiro presidente eleito do Brasil", declaração feita após a derrota nas urnas no último domingo, 25. Kleber Rosa classificou a atitude como uma "piada de mau gosto" e reafirmou que o congressista tende a desaparecer da cena política em breve.
Na visão do socialista, a ida do senador ao território americano não foi uma decisão tomada às pressas. O legislador acredita que o parlamentar e sua equipe política se prepararam com antecedência para diferentes cenários eleitorais, inclusive a possibilidade de fracasso nas votações. "A fuga dele foi premeditada. Eles se organizaram para dois caminhos: se vencessem, usariam o cargo para se proteger de todas as acusações que pesam contra eles. Se perdessem, fugiriam, assim como o irmão já fez," explicou Kleber.
Flávio chegou aos Estados Unidos na manhã desta quarta-feira e a carta foi compartilhada pelo jornalista Paulo Figueiredo, neto do ex-ditador João Figueiredo. O documento contiene manifestaciones dirigidas a representantes da extrema-direita global, incluindo o presidente da Argentina, Javier Milei, e o mandatário dos Estados Unidos, Donald Trump. No texto, o senador contestou o resultado das urnas e atribuiu sua derrota a uma suposta fraude eleitoral. "Na noite de domingo, vi estarrecido uma fraude eleitoral se concretizar diante dos meus olhos", escreveu.
O Tribunal Superior Eleitoral confirmou a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que obteve 64,2 milhões de votos no segundo turno, quase 4,5 milhões a mais que o concorrente. O veredicto foi ratificado pelo Poder Judiciário, por entidades internacionais e pelo próprio PL, legenda do senator. Flaviano também tentou responsabilizar o ministro Cristiano Zanin, do Supremo Tribunal Federal, pela diferença de sufrágios entre primeiro e segundo turnos, acusação que não encontra suporte nos dados do tribunal, que registrou apenas 34 mil votos após as 17 horas.
Kleber também colocou em xeque se a movimentação aconteceu com aprovação de outros líderes do campo conservador. Para ele, a publicação e a viagem representam uma tentativa de manchar a imagem do Brasil, mas não devem oferecer sustentação política duradoura ao senator. "Tudo indica que ele agiu sem o consentimento do PL e dos demais grupos de direita ao seu redor. É uma clara tentativa de desmoralizar o país, de mais uma vez se associar ao bolsonarismo para tentar fragilificar o Brasil. No fim das contas, não passa da fuga de um criminoso que roubou e que em breve começará a usufruir do que subtraiu do Brasil," completou.
Além das críticas, o dirigente do PSOL avaliou que a atitude abre precedentes para uma disputa interna pela liderança da direita. Na análise do parlamentar, outras figuras desse espectro político já começam a se posicionar como alternativas à família Bolsonaro, que, segundo ele, está perdendo centralidade no cenário nacional. "Acredito que num prazo muito breve, o Flaviano Bolsonaro vai cair no esquecimento, vai se isolar, sem efeitos concretos para a disputa política brasileira. Em breve, não vai passar de um fugitivo da Justiça brasileira," concluiu.
Fonte: A TARDE