A capital baiana mantém um dos maiores programas de alimentação escolar do país. Diariamente, cerca de 180 mil refeições balanceadas são servidas a aproximadamente 160 mil estudantes da rede pública municipal, incluindo matriculados em instituições conveniadas. A operação abrange mais de 400 estabelecimentos de ensino e mobiliza aproximadamente 600 merendeiras e 80 nutricionistas para garantir qualidade e segurança alimentar.
Ao longo dos 200 dias letivos anuais, o programa totaliza quase 36 milhões de refeições oferecidas aos estudantes. Na véspera do Dia Mundial da Alimentação, comemorado em 16 de outubro, a iniciativa chama atenção para o papel fundamental da alimentação escolar no desenvolvimento e no rendimento acadêmico de crianças e adolescentes.
Na Escola Municipal Eduardo Campos, localizada no bairro de Águas Claras, uma ação de educação nutricional ocorreu nesta quinta-feira. A equipe de nutrição da Gerência Regional de Educação de Cajazeiras promoveu atividades com jogos e explicações adaptadas ao público infantil, incentivando escolhas alimentares conscientes e esclarecendo por que determinados alimentos compõem o cardápio escolar.
Para a vice-diretora Raquel Nascimento Cerqueira, a participação de profissionais da nutrição complementa o conteúdo aprendido em sala de aula. "Quando as crianças veem uma ação com uma nutricionista, têm a oportunidade de tirar dúvidas mais específicas. A forma que ela está usando é bem didática, com jogos na linguagem deles", destacou.
A educadora observou que o aprendizado também se estende aos lares. Ao compreenderem os critérios das escolhas feitas pela escola, os estudantes compartilham essas informações com suas famílias.
Na unidade, é servida uma refeição por turno, seguindo o cardápio elaborado pelas nutricionistas. O reconhecimento pelo trabalho das equipes de cozinha aparece nas palavras de Sanderson Santos Minelli, de 12 anos, estudante do terceiro ano. "Eu valorizo muito porque elas fazem uma comida muito boa", afirmou o aluno.
Melissa Lima Santos, de 8 anos, aluna do segundo ano, relacionou a alimentação escolar ao carinho. "As pessoas gosta da comida da escola porque a tia faz com amor e carinho", disse.
A construção dos cardápios começa antes mesmo das refeições serem preparadas. As nutricionistas elaboram os planos alimentares considerando a faixa etária dos estudantes, o tempo de permanência nas unidades e as diferentes modalidades de ensino, em conformidade com as diretrizes do Programa Nacional de Alimentação Escolar.
A nutricionista Ayala Portela, que acompanha as unidades da regional de Cajazeiras, explicou que o planejamento busca suprir as necessidades nutricionais durante o período em que o aluno permanece na escola. "O cardápio é pensado para suprir essas necessidades durante o período em que o aluno estiver na unidade escolar", detalhou.
Na regional, o acompanhamento técnico abrange 45 escolas. O trabalho inclui supervisão do serviço prestado pelas empresas responsáveis pelas cozinhas, com rigor quanto ao armazenamento de ingredientes, ao preparo e à qualidade das refeições.
Ayala informou que a oferta de refeições varia conforme o segmento e o período de permanência. Nas creches, são servidas cinco refeições. Nas escolas de tempo integral do Ensino Fundamental, a alimentação inclui desjejum, almoço e lanche ao longo da jornada.
A diversidade também marca as preparações. Frutas, sanduíches, cuscuz, batata-doce, aipim e ovos compartilham espaço com pratos como baião de dois, feijoadinha escolar, moqueca de ovos e frango com quiabo e abóbora. As preparações salgadas mais completas costumam integrar o cardápio duas vezes por semana para os alunos de tempo parcial, que recebem de uma a duas refeições diárias.
"A escola é um espaço de promoção de hábitos alimentares saudáveis e de garantia do direito humano à alimentação adequada e saudável", reforçou a nutricionista.
Segundo Juliana Garcia, Coordenadora e Responsável Técnica da Alimentação Escolar, a prioridade é oferecer refeições equilibradas, com alimentos in natura e minimamente processados. Além de contribuir para o crescimento e o desenvolvimento, a alimentação adequada favorece a concentração, a disposição e a aprendizagem.
O monitoramento é realizado pela Coordenadoria de Alimentação Escolar, que atua no planejamento dos cardápios, na orientação das unidades, no acompanhamento dos serviços e na fiscalização da qualidade dos alimentos e das refeições. O trabalho também conta com nutricionistas das empresas contratadas para prestação dos serviços.
Nas cozinhas, aproximadamente 600 merendeiras participam diretamente do preparo e da oferta das refeições, seguindo os cardápios e as orientações de higiene e segurança alimentar.
Entre os avanços alcançados, Juliana destaca a organização e o monitoramento dos serviços, o aprimoramento dos cardápios e o fortalecimento das ações de educação alimentar e nutricional.
O atendimento, porém, exige acompanhamento permanente. "Entre os desafios, estão garantir a regularidade e a qualidade do atendimento em todas as mais de 400 unidades, assegurar o cumprimento dos cardápios e dos contratos e manter o padrão de qualidade em uma operação de grande dimensão, que atende diariamente milhares de estudantes", pontuou.
Além do suporte técnico, o serviço conta com o controle social exercido pelo Conselho Municipal de Alimentação Escolar, órgão responsável por acompanhar e fiscalizar a execução do programa federal, contribuindo para a transparência e a qualidade da alimentação oferecida aos estudantes.