Para quem busca uma história envolvente neste início de semana, a Netflix disponibiliza uma produção que merece atenção especial. Ripley, minissérie lançada em 2024, construiu uma reputação sólida entre críticos e espectadores ao oferecer um suspense sofisticado que foge dos padrões convencionais do gênero.
Estrelada por Andrew Scott, conhecido por sua atuação como padre em Fleabag, a adaptação do clássico romance O Talentoso Ripley, escrito por Patricia Highsmith, apresenta uma narrativa centrada em manipulação, crimes e uma atmosfera de inquietação constante. Com oito episódios, a história acompanha Tom Ripley, um homem experto em mentiras e pequenos golpes que recebe a missão de viajar à Itália para convencer Dickie Greenleaf, herdeiro de uma família abastada, a retornar aos Estados Unidos.
O encontro com o universo de luxo e privilégio de Dickie desperta em Ripley uma ambição crescente. O protagonista passa a desejatransformar sua identidade e conquistar uma posição social que sempre lhe foi negada. Gradualmente, a missão original cede lugar a uma teia de mentiras, fraudes e crimes que ameaçam expor sua verdadeira natureza. A presença de Marge Sherwood, interpretada por Dakota Fanning, companheira de Dickie, e de outros personagens próximos ao herdeiro intensifica a pressão sobre o protagonista, que precisa constantemente encontrar formas de sustentar sua fachada e evitar que seus planos desmoronem.
Um dos elementos mais distintivos de Ripley é sua identidade visual. Dirigida e roteirizada por Steven Zaillian, a minissérie utiliza fotografia em preto e branco para transformar as paisagens italianas em cenários que mesclam beleza e ameaça. Construções históricas, escadarias imponentes, vielas estreitas e vistas da costa italiana recebem enquadramentos elaborados que reforçam tanto a grandiosidade dos ambientes quanto o isolamento do protagonista. Essa escolha estética diferencia a produção da adaptação cinematográfica de 1999, estrelada por Matt Damon, Jude Law e Philip Seymour Hoffman, que se notabilizou por sua ambientação colorida e ensolarada.
Andrew Scott entrega uma atuação que merece destaque especial. Seu Tom Ripley não corresponde ao estereótipo do vilão convencional, marcado por explosões emocionais ou demonstrações explícitas de crueldade. O personagem age de maneira calculada, frequentemente em silêncio, e deixa o espectador tentar decifrar suas verdadeiras intenções. Suas expressões faciais, pausas calculadas e diálogos consigo mesmo revelam uma personalidade manipuladora que parece sempre avaliando o próximo movimento. Dakota Fanning, Johnny Flynn, Eliot Sumner e Maurizio Lombardi completam o elenco, contribuindo para a construção de um universo onde a desconfiança aumenta à medida que a trama avança.
A narrativa de Ripley se distancia do modelo tradicional de suspense que depende de grandes reviravoltas ao final de cada episódio. A produção opta por acompanhar os movimentos cotidianos do protagonista, suas viagens, tentativas de manter uma identidade falsa e os pequenos vestígios que deixa pelo caminho. Essa abordagem torna a tensão mais gradual, surgindo da repetição de gestos e situações, enquanto o espectador observa a possibilidade de que um detalhe aparentemente insignificante seja suficiente para comprometer todos os planos.
O ritmo mais pausado pode frustrar quem procura uma trama acelerada, com revelações constantes a cada capítulo. Por outro lado, essa cadência permite examinar com maior profundidade a psicologia do protagonista e sua adaptação ao ambiente de riqueza que deseja integrar. A produção também evita transformar a história em um espetáculo de glamour criminoso, apresentando o luxo acompanhado de tédio, isolamento e insegurança.
Ripley obteve 86% de aprovação da crítica e 82% do público no agregador Rotten Tomatoes. Parte dessa recepção positiva está relacionada à atuação de Andrew Scott e à identidade visual da produção. A fotografia em preto e branco, os enquadramentos requintados e a construção gradual do suspense distinguem esta adaptação de outras histórias criminais disponíveis nas plataformas de streaming. A produção também registrou aproximadamente 16,9 milhões de horas assistidas em sua primeira semana na Netflix, alcançando cerca de 18,4 milhões de horas na semana seguinte, conforme dados da plataforma.
A minissérie representa uma excelente opção para apreciadores de tramas complexas, suspense psicológico e personagens cuja imprevisibilidade mantém a tensão mesmo nos momentos mais silenciosos. Ripley exige paciência do espectador, pois opta por construir a inquietação de forma gradual em vez de oferecer reviravoltas incessantes. Em contrapartida, proporciona uma atuação memorável de Andrew Scott, uma fotografia sofisticada e uma história que continua provocando desconforto mesmo para quem já conhece o destino do personagem. Com oito episódios disponíveis, a produção oferece uma alternativa refinada para quem deseja mergulhar em uma narrativa sombria e elegante durante o início da semana.
Fonte: A TARDE