Embora muita gente associe seguro de vida apenas ao falecimento do titular, esse tipo de proteção oferece possibilidades bem mais amplas. No Brasil, existem modalidades que permitem ao segurado receber uma indenização ainda em vida, após o diagnóstico de enfermidades graves previstas nas condições da apólice.
Entre as patologias geralmente contempladas estão câncer, infarto agudo do miocárdio, acidente vascular cerebral, insuficiência renal crônica, doenças hepáticas avançadas, esclerose múltipla, esclerose lateral amiotrófica, mal de Parkinson, mal de Alzheimer, paralisia de membros, perda total da visão, perda total da audição, queimaduras graves e diversos tipos de transplante, incluindo os de coração, órgãos e medula óssea. No entanto, cada seguradora define sua própria relação de doenças cobertas.
Segundo Raphael Dantas, especialista em seguros ouvido pela redação, o consumidor precisa ficar atento a um ponto fundamental: ter um seguro de vida tradicional não garante automaticamente o recebimento de indenização por doenças graves. "Câncer ou infarto não são cobertos por um seguro de vida comum. É necessário contratar uma cobertura específica para doenças graves", alertou o profissional.
A distinção é essencial porque se tratam de produtos diferentes. Quando há diagnóstico de uma doença coberta, o dinheiro é depositado diretamente ao segurado, que pode usá-lo conforme sua vontade. Já a indenização por morte é destinada aos beneficiários após o óbito do titular.
Para acionar a cobertura, o segurado deve notificar a seguradora sobre o sinistro, geralmente com apoio de um corretor. O pagamento está condicionado à apresentação de documentos que comprovem o diagnóstico, como exames médicos e relatórios elaborados por profissionais de saúde. Dantas destaca que não é obrigatório comprovar o início do tratamento para receber o valor.
Um aspecto que merece atenção especial é que o seguro não possui efeito retroativo. O diagnóstico precisa ocorrer depois da contratação da apólice. Além disso, existem períodos de carência que podem variar conforme a empresa e o produto escolhido. "Por isso que a contratação é feita enquanto você está saudável para fazer uma prevenção futura", comentou Dantas.
O custo do seguro varia de acordo com fatores individuais, como idade, profissão, hábitos de vida, condições de saúde e histórico médico. Por isso, duas pessoas podem receber propostas com valores distintos para coberturas semelhantes. O capital segurado é definido no momento da contratação e deve considerar quanto recursos o titular necessitaria para lidar financeiramente com uma doença grave.
Antes de fechar qualquer contrato, é fundamental analisar quais doenças estão efetivamente incluídas, o valor da indenização, os prazos de carência e as exclusões previstas. Também é indispensável responder com sinceridade aos questionários de saúde, pois a omissão de informações pode comprometer o pagamento da indenização posteriormente.
Além da cobertura para doenças graves, os seguros podem oferecer proteções adicionais para internação hospitalar, acidentes, fraturas, intervenções cirúrgicas e afastamento do trabalho. Para Dantas, o seguro deve ser visto como parte do planejamento financeiro familiar, e não apenas como um recurso acionado após o falecimento. "Todo mundo precisa ter seguro, só precisa entender quanto de seguro a gente precisa ter", concluiu.
Fonte: A TARDE