O ministro André Mendonça, que ocupa a vice-presidência do Tribunal Superior Eleitoral, concedeu permissão para que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o senador Flávio Bolsonaro publiquem por vontade própria suas informações sigilosas. A decisão foi tomada no âmbito de um processo que trata especificamente sobre a transparência dos candidatos à Presidência da República.
Em sua manifestação, o magistrado defendeu que a definição sobre quais dados pessoais devem ser revelados é prerrogativa de cada candidato, cabendo aos eleitores julgar essa atitude. "Não compete à Justiça Eleitoral determinar o que cada postulante deseja ou não tornar público. A decisão de divulgação é individual, e a avaliação dessa escolha pertence ao cidadão que vai às urnas", registrou Mendonça na decisão.
O ministro também fez uma ressalva importante: a publicação voluntária de extratos bancários, declarações de renda e outros documentos pessoais não elimina a necessidade de investigações conduzidas por órgãos reguladores e sob supervisão judicial. As apurações oficiais continuam independentes de qualquer manifestação dos candidatos.
Na quinta-feira (22), as equipes de campanha de ambos os candidatos protocolaram junto a Mendonça um documento assinado conjuntamente. No texto, Lula e Bolsonaro informam que aceitam integralmente as condições recíprocas e autorizam a abertura completa e simultânea de todos os seus sigilos. O material foi apresentado à imprensa pelo senador Camilo Santana, coordinador da campanha lulista e líder do Partido dos Trabalhadores no Senado Federal.
No documento entregue ao ministro, os candidatos declararam: "Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Nantes Bolsonaro, que disputam a Presidência da República e já estão devidamente qualificados neste processo, vêm informar, em conjunto, que aceitaram por completo os termos recíprocos do desafio proposto nestes autos e autorizam a abertura total de todos os seus sigilos". A proposta estabelece que as informações sejam disponibilizadas ao público em um endereço eletrônico acessível a todos os cidadãos.
A medida representa um marco na disputa eleitoral de 2026, já que coloca ambos os candidatos em pé de igualdade quanto à transparência de suas finanças pessoais. Analistas políticos avaliam que a decisão fortalece o debate público sobre a fidúcia dos concorrentes à maior cadeira do Executivo nacional.
Fonte: Últimas Notícias – Metro 1