Em primeiro de novembro de 2026, a Baía de Todos-os-Santos atingirá a marca de 525 anos desde seu batismo oficial. A expedição portuguesa liderada por Gaspar de Lemos, acompanhando o navegador Américo Vespúcio, registrou em 1501 a denominação que se tornaria uma das referências geográficas, culturais e econômicas mais importantes do Brasil.
Durante o período colonial, Salvador emergiu como um dos principais centros portuários do Atlântico Sul. As águas da baía serviram como rota para mercadorias, embarcações, pessoas e riquezas que moldaram a trajetória econômica do país. O Forte de São Marcelo, reconhecido pelos navegantes da época como o umbigo da América do Sul, representava nos mapas antigos o principal porto brasileiro, essencial para o comércio internacional, particularmente na exportação de açúcar e outros produtos do Recôncavo Baiano.
O aniversário da baía, denominada Kirimurê pelos povos tupinambás, transcende a mera celebração histórica. O evento representa uma oportunidade para discutir a preservação do patrimônio natural e cultural, bem como o desenvolvimento urbano sustentável das comunidades costeiras. Considerando seu papel estratégico na economia do mar, que atualmente movimenta aproximadamente 80 bilhões de reais anualmente na Bahia e cerca de 2 trilhões de reais em todo o Brasil, a baía configura-se não apenas como herança histórica, mas como legado para as gerações futuras e uma das fronteiras prioritárias para o desenvolvimento marinho nacional.
A centenária Associação Comercial da Bahia, instituição com mais de duzentos anos de existência, reconheceu o potencial da baía ao publicar a Carta da Baía em 2014. O documento articulou governos, universidades, empresas, instituições científicas e sociedade civil para declarar a Baía de Todos-os-Santos e Salvador, sua Cidade Mãe, como Capital da Amazônia Azul. Essa integração demanda planejamento estruturado, infraestrutura adequada, inovação tecnológica, qualificação profissional e políticas públicas contínuas, organizados no chamado Atlas da Economia do Mar.
A baía concentra significativo contingente de atividades econômicas em seu entorno, incluindo dez portos, instalações industriais, operações petrolíferas e petroquímicas, setores pesqueiros e serviços marítimos. Terminais, estaleiros e infraestrutura logística demonstram que a região não constitui apenas uma paisagem de beleza excepcional, mas um ativo econômico reconhecido internacionalmente como o maior e melhor porto natural do Atlântico Sul.
A empresa Mediterranean Shipping Company, uma das maiores do setor maritime global, demonstrou confiança no potencial da região. O presidente executivo Soren Toft decidiu pela aquisição da Wilson Sons, empresa fundada em Salvador em 1837 pelos comerciantes escoceses Edward e Fleetwood Pellew Wilson. A decisão fundamentou-se em dados globais que evidenciam o potencial estratégico de expansão no hemisfério Sul, onde circula aproximadamente vinte por cento do tráfego marítimo mundial. O Tecon Salvador, terminal pertencente à Mediterranean Shipping Company, celebra o aniversário da baía posicionando-se como terminal localizado na Capital da Amazônia Azul.
Empresas do comércio marítimo internacional, subordinadas às diretrizes da Organização Marítima Internacional, estão atentas às normativas de preservação marinha e regulação ambiental do transporte marítimo. Ações contra poluição, descarte inadequado de resíduos, degradação de manguezais, ocupação desordenada do litoral e pressão sobre recursos pesqueiros estão integradas aos orçamentos corporativos, com acompanhamento por inteligência artificial no gerenciamento de riscos e monitoramento por investidores.
A refinaria Acelen, situada em São Francisco do Conde, contribui com aproximadamente dezessete por cento de toda a arrecadação de ICMS no estado. Seguindo normas internacionais de descarbonização determinadas pelo Mubadala, fundo propietario sediado em Abu Dhabi, a empresa desenvolve o projeto Acelen Renováveis, uma das maiores iniciativas globais para produção de combustíveis renováveis a partir da macaúba, planta nativa brasileira.
O Segundo Distrito Naval, denominado Primaz do Brasil por estar sediado na Capital da Amazônia Azul, organiza a competição Aramuss, evento que destaca soluções avançadas e tecnologias disruptivas aplicadas a sistemas marítimos não tripulados. O encontro reúne inovação, tecnologia e estratégia em um dos principais eventos sobre veículos autônomos marítimos do país.
Dos 693 quilômetros quadrados que compõem a área total do município de Salvador segundo o IBGE, apenas 343 quilômetros quadrados correspondem a território seco, enquanto os demais 350 quilômetros quadrados encontram-se no território aquático da baía. O novo Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano enfrenta o desafio da Urbe Molhada, conceito que desafia o planejamento urbano tradicional. O Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas no estado divulga princípios dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável e necessita de exemplos práticos e mensuráveis de sua aplicação local, inspirando a criação, na Capital da Amazônia Azul, do Centro da Economia do Mar do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas.
Fonte: A TARDE