Sérgio Ferreira de Jesus foi sentenciado nesta quarta-feira, 21, a 23 anos e nove meses de prisão em regime fechado pelo assassinato da liderança quilombola Mãe Bernadete. O julgamento ocorreu no Fórum Ruy Barbosa, localizado em Salvador.
A condenação foi determinada após os membros do Conselho de Sentença acatarem a tese da promotoria baiana e reconhecerem a prática de homicídio qualificado. O processo foi conduzido pela magistrada Gelzi Maria Almeida Souza Matos, titular do 1º Juízo da 1ª Vara do Tribunal do Júri da capital baiana.
Durante a sessão do tribunal do povo, foram escutadas seis pessoas como testemunhas, sendo duas indicadas pela acusação e quatro pela defesa, além do próprio pronunciado. A sentença levou em consideração quatro circunstâncias que agravaram o crime: motivo fútil, uso de método cruel, recurso que impediu a vítima de se defender e porte de arma de fogo ilegal.
Sérgio estava detido preventivamente desde então e aguardava o julgamento atrás das grades. Com a sentença, a Justiça já determinou o cumprimento antecipado da punição.
Quatro dos cinco envolvidos no crime já foram julgados
Com essa decisão, sobe para quatro o número de réus sentenciados pela morte da líder comunitária. Arielson da Conceição dos Santos recebeu a pena mais longa, de 40 anos, cinco meses e 22 dias, em abril deste ano. Marílio dos Santos foi condenado a 29 anos e nove meses, porém faleceu dois dias após ser julgado. Josevan Dionísio dos Santos, apontado como o autor dos disparos contra a vítima, cumpre pena de 28 anos de reclusão em regime inicial fechado desde o dia 13 de outubro. Ydney Carlos Santos de Jesus permanece como o quinto acusado e ainda não enfrentou o tribunal popular, aguardando o trânsito em julgado de recursos.
Maria Bernadete Pacífico Moreira, de 72 anos, foi morta a tiros em 17 de agosto de 2023, em sua casa no Quilombo Pitanga dos Palmares, no município de Simões Filho, na Região Metropolitana de Salvador. A líder foi baleada 25 vezes. Atuou durante décadas na defesa dos direitos das comunidades remanescentes de quilombos e na luta contra a presença do tráfico de drogas na região. As apurações policiais indicaram que o homicídio teve origem em disputas pelo controle territorial relacionadas ao comércio ilegal de entorpecentes.
Fonte: A TARDE