A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia determinou o fechamento temporário do centro cirúrgico do Hospital Vida, localizado em Ilhéus, na região sul do estado. A interdição aconteceu nesta quinta-feira, 27, depois que fiscais constataram que o espaço não possuía o alvará sanitário necessário para realizar cirurgias. A informação foi confirmada pela própria Sesab, que declarou oficialmente que "o hospital não tem alvará sanitário para funcionamento de centro cirúrgico".
A medida investigativa é resultado direto da morte da empresária Adriele da Silva Pinto, de 31 anos, que faleceu após ser submetida a quatro cirurgias plásticas no local. Adriele chegou ao hospital na manhã de quarta-feira, 26, para realizar mastopexia com prótese, lipoescultura, remodelamento costal e aplicação de jato de plasma. A família informou que a previsão inicial era de que os procedimentos terminassem às 18h, porém o horário foi sendo adiado sucessivamente, primeiro para 20h e depois para 21h. À meia-noite, os parentes ainda não haviam recebido informações sobre o estado de saúde da paciente, sendo comunicados da morte posteriormente.
O advogado da família, Néry Santana, revelou que o médico Rossini Tebaldi Ruback teria alugado a sala onde os procedimentos foram realizados. Após reunião com o coordenador do Núcleo Regional de Saúde Sul, Danilo Souza Amorim, Santana afirmou que o hospital "assumiu o risco" e que "foi por negligência médica", destacando que o remodelamento costal não seria permitido pelo Conselho Federal de Medicina conforme decreto 07/2025. A reportagem não conseguiu contato com a administração do hospital nem com o médico para comentar as acusações.
A Polícia Civil está conduzindo as investigações sobre o caso. O delegado Luiz Henrique Machado de Paula, da 1ª DT de Ilhéus, explicou que ainda é necessário analisar toda a documentação médica e administrativa antes de estabelecer responsabilidades. "Já oficiamos requisitando o prontuário médico e os órgãos de fiscalização. Aguardamos o laudo da necropsia", detalhou. O delegado também confirmou que solicitou informações sobre possíveis outros casos anteriores envolvendo o mesmo médico em Itabuna, sugerindo que existem registros de fatos similares em anos anteriores.
Adriele foi enterrada na manhã desta quinta-feira no Cemitério Municipal de Ituberá, sua cidade natal. O sepultamento reuniu dezenas de familiares e amigos que carregaram cartazes pedindo justiça. A empresária morava nos Estados Unidos há cinco anos e havia retornado ao Brasil em junho especificamente para realizar as cirurgias, com previsão de voltar ao país norte-americano em outubro.
Fonte: A TARDE