O senador Flávio Bolsonaro, candidato à Presidência pelo PL, protocolou nesta quarta-feira (21) um documento junto ao Tribunal Superior Eleitoral contendo 19 exigências que devem ser atendidas para que ele autorize a divulgação de seus dados bancários, fiscais e telefônicos. A medida representa uma resposta direta ao desafio lançado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva durante o debate da Band, realizado no último domingo (18).
Entre os pedidos apresentados pelo parlamentar, destacam-se solicitações para quebra de sigilo de Marco Aurélio Santana Ribeiro, o Marcola, que exerceu função de chefia no gabinete presidencial, além de acesso aos dados financeiros e telefônicos do Instituto Lula. O candidato do PL também requer informações sobre os gastos realizados com cartões corporativos utilizados pela Presidência e pela primeira-dama, Rosângela Silva, conhecida como Janja.
O documento inclui ainda pedidos de abertura dos sigilos dos filhos do presidente, incluindo Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, bem como de empresas vinculadas à família presidencial. Outra exigência envolve a divulgação de registros de voos da Força Aérea Brasileira, incluindo a lista de passageiros, e o acesso às informações sobre reuniões entre Lula e Daniel Vorcaro, antigo dirigente do Banco Master.
Flávio Bolsonaro também solicita dados sobre entrada de Vorcaro e pessoas próximas a ele no Palácio do Planalto e no Palácio da Alvorada, informações relacionadas ao ex-presidente da Fazenda Guido Mantega, além dos sigilos de Roberta Luchsinger, empresária citada em investigações sobre descontos irregulares em benefícios do INSS, e Edson Claro, mencionado no mesmo contexto investigativo.
O pacote de exigências contempla ainda a divulgação de informações sobre Frei Chico, irmão do presidente, incluindo dados do Sindnapi, sindicato do qual ele é vice-presidente, bem como a quebra de sigilo de João Vaccari Neto, ex-tesoureiro do Partido dos Trabalhadores. O candidato requer também os registros de visitantes da residência oficial da Presidência e acesso a dados de empresas e pessoas próximas ao mandatário que, segundo sua campanha, poderiam estar envolvidas em movimentações financeiras sob investigação.
Outra demanda importante diz respeito aos contatos telefônicos realizados por meio de assessores de Lula, sob a alegação de que o presidente utilizaria linhas telefônicas de terceiros. Por fim, o senator pede a ampliação do período de análise dos dados para 20 anos, com início em 2003, diferente dos oito anos inicialmente propostos por Lula.
Na terça-feira (20), Lula formalizou junto ao TSE uma proposta de abertura mútua de sigilos, incluindo dados pessoais e de familiares, condicionada à adoção da mesma medida por parte de seu adversário. A troca de exigências ocorre na fase decisiva da campanha para o segundo turno das eleições presidenciais, agendado para domingo (25), e deve voltar ao centro das discussões no debate desta sexta-feira (23), na TV Globo.
Fonte: Farol da Bahia